05 nov, 2019

[SÉRIE] The Spanish Princess

Oi meus amores! Eu já contei para vocês como sou absolutamente apaixonada por séries históricas antes e hoje venho trazer a resenha de mais uma que roubou meu coração: The Spanish Princess, minissérie que da continuidade a saga da Guerra dos Primos lançada recentemente canal Starz.

Acompanhamos agora a princesa Katherine of Aragon (Charlotte Hope) em sua jornada até a Inglaterra onde finalmente conhecerá seu marido, Arthur Tudor (Angus Imrie), o futuro rei. Prometidos desde criança, Katherine sabe qual será o seu destino, sabe que deve se casar para assegurar o futuro de seu país, mas acontece que ela acabou se apaixonando por Arthur por causa das cartas que trocaram. Ela se imagina muito sortuda por poder cumprir seu dever e ainda ter um casamento com amor.

Então imaginem a surpresa da jovem princesa ao conhecer o marido e mencionar as cartas deixando-o surpreso. Logo fica claro que ela estava se correspondendo com Harry (Ruairi O’Connor), o irmão mais novo de Arthur. A atração entre eles é instantânea, mas como membros da realeza nenhum dos dois tem a opção de escolher seu destino. Por isso ela se casa com o Príncipe de Gales, a quem foi prometida, mas o enlace deles não dura muito já que Arthur morre meses depois.

Sem querer abrir mão do futuro que lhe foi prometido, Katherine volta seus olhos para o novo herdeiro do trono, Harry, o qual convenientemente já nutria um interesse por ela. Ela alega que Arthur não conseguiu consumar o casamento, todo mundo mantem uma certa desconfiança a respeito, mas é lady Margaret Beaufort (Harriet Walter) quem fala abertamente e deixa claro que fará tudo que for possível para impedir o matrimônio se concretize.

Enquanto isso Lizzy (Alexandra Moen), a rainha consorte, acaba entrando em trabalho de parto e dando a luz a um bebê natimorto. O parto vai mal e ela acaba morrendo, mas antes de partir ela avisa ao marido que se Harry e Katherine se casarem a linhagem dos Tudor acabará, ela não vai ser capaz de conceber um herdeiro. A morte da rainha afeta Henry (Elliot Cowan) mais do que é capaz de dizer e ele se afasta por meses de suas obrigações e Lady Beaufort acaba por assumi-las.

Enquanto age como regente, ela expulsa Katherine da corte e a obriga a viver junto com os súditos, abusa da arrecadação de impostos e tantas outras coisas que só essa megera é capaz de fazer. Pouco tempo depois Henry está de volta ao seu lugar e anuncia que ele mesmo tomará a princesa como esposa, alegando cumprir o último desejo de Lizzie, mas a jovem é ardilosa e ela vai encontrar o caminho que a levará até o trono inglês ao lado do homem que deseja.

Vou começar falando que eu simplesmente não aguentava mais ver Lady Margaret fazendo as maldades com todo mundo e saindo impune. A mulher é uma víbora e eu estava a três temporadas torcendo para que ela tivesse um castigo épico no fim. Bom, não veio, mas fiquei um pouco feliz com o final que lhe foi relegado, apenas queria que fosse alguma coisa mais severa por tudo que ela fez. 

Confesso que já esperava gostar de Katherine, ela sempre foi uma figura icônica na história para mim. Todo mundo sabe como é que as coisas acabam entre ela e seu rei e sempre admirei como ela lidou com a questão, mas estava curiosa sobre como personagem seria apresentada e desenvolvida já que não sei quase nada sobre ela nesta idade. A jovem princesa é uma mulher determinada, teimosa, mimada e comprometida com seu destino e do qual ela não aceita ser afastada. Foi gratificante acompanhar toda a sua jornada.

Toda vez que vejo qualquer coisa que envolva Henry VIII tenho de cara uma  grande dose de antipatia por ele. O homem não valia nada, mesmo para os padrões da época. Em The Spanish Princess, no entanto encontrei um jovem apaixonado e idealista por quem consegui sentir uma boa dose de empatia durante os episódios, inclusive chegando a esquecer o crápula que ele iria se tornar. Harry é egoísta, muito mimado, cheio de sim e como segundo na linha sucessória nunca foi treinado para ser o rei. Uma combinação bastante perigosa.

Os personagens secundários e seus conflitos são muito bem apresentados e desenvolvidos. Há tramas e subtramas interessantes usadas e modificadas daquele momento histórico. Quinze anos depois do fim da Guerra das Rosas, não temos batalhas acontecendo, mas as intrigas para destronar os Tudors continuam. O enredo tem uma proposta completamente diferente das minisséries anteriores e é muito bom que cada uma possa trazer sua própria forma de contar a sua história, mas as cenas de ação são reduzidas drasticamente e por vezes senti a trama massante.

O misticismo construído nas temporadas de The White Queen e The White Princess também tem uma redução muito considerável, especialmente se compararmos com a primeira série, mas ainda há um ar mítico que envolve, principalmente, a princesa espanhola e seu futuro. Para quem conseguir perceber, há sutis dicas do que está por vir.

A fotografia está maravilhosa e fiquei absolutamente apaixonada. Os figurinos estão um tanto diferente do que eu conheço da época, mas com certeza está belíssimo. A ambientação está impecável e, diferente do que aconteceu com as duas primeiras séries (acredito que por causa do tempo entre a produção de uma e outra), aqui temos vários cenários sendo reutilizados, o que realmente da uma impressão de continuidade.

Outro ponto a ser elogiado e ressaltado são as atuações deste elenco, especialmente do núcleo que espanhol. Os atores conversam em inglês e espanhol sem prejudicar em nada a performance, inclusive traz um ar de realidade muito bem-vindo, seria estranho se a comitiva da princesa, vinda da Espanha falasse um Inglês perfeito e sem sotaque. 

The Spanish Princess tem oito episódios também e honestamente eu gostei muito da série, mas não achei tão boa quanto as que vieram antes, mesmo assim recomendo muito para quem adora uma boa série histórica com aquela dose de ficção misturada. Estou ansiosa para saber quando e qual vai ser a próxima adaptação, minhas apostas são de que veremos Anne e Mary Boleyn muito em breve.

Jéssica

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