14 fev, 2020

[FILME] Dois Papas

Oi seus lindos, hoje vim com uma dica maravilhosa de filme para vocês, que foi indicado ao Oscar, infelizmente não ganhou, mas que ganhou meu coração (se é que isto serve de alguma coisa). Bora falar um pouquinho sobre Dois Papas, da Tia Netflix.

O filme começa quando o Papa João Paulo II falece e é preciso escolher o papa substituto. Neste cenário conhecemos Jorge Bergóglio, um cardeal argentino e Joseph Ratzinger, um cardeal alemão, ambos recebem votos para substituírem João Paulo II, e na segunda seção os cardeais escolhem Ratzinger como o novo Papa, e este passa a ser conhecido como Bento XVI.

Depois de alguns anos, papa e cardeal se encontram novamente, em meio a diversos escândalos de pedofilia que cercavam a Igreja católica e do vazamento de documentos confidenciais. Mas o reencontro não tem ligações com os escândalos, o encontro com o Papa se dá porque Bergóglio quer se aposentar antes de completar 75 anos (idade em que os cardeais se aposentam).

Bento XVI não é a favor da aposentadoria de Bergóglio (e no decorrer da história a gente descobre o porquê de ele ser tão contra a aposentadoria) e ao longo do filme somos apresentados ao caminho que uniu os dois e que culminou na eleição futura de Bergóglio como Papa (Francisco), deixando uma marca na história quando temos, pela segunda vez, um papa emérito.

O Bento XVI se apoiou e uma única vez que a Igreja Católica viu um papa abdicar de suas atividades, que foi no século XIII, mas é importante dizer que o título de papa emérito surgiu em 2013, quando Bento XVI sai, então meio que foi sim uma surpresa, porque nenhum outro papa decidiu abandonar o cargo, principalmente nas circunstancias em que Bento XVI saiu.

Confiram a resenha de outros filmes também:

Estou completamente apaixonada por este filme, e principalmente pela forma como os escândalos que envolveram a igreja foram tratados, porque na época do ocorrido (porque só se falavam em todos os cantos dos casos de pedofilia que foram acobertados e das declarações polemicas do então Papa) porque eles não foram deixados de lado, eles foram tratados eu diria que até de forma respeitosa para com a Igreja, obvio que com a gravidade que este tipo de acusação merece, mas em nenhum momento a Igreja ou a fé cristã foram ofendidos. E é importante destacar também que os escândalos não se tornaram o centro da história, porque este foco pertencia aos personagens da trama, o relacionamento deles e a forma como um papa deu lugar ao outro.

Preciso destacar a ambientação e os personagens, que para mim ficaram perfeitos! Os atores ficaram absurdamente parecidos com às respectivas figuras que encarnaram e não só na caracterização, como modos e trejeitos, chega a ser absurdo a forma como o jeito deles ficou parecido com os de Bento XVI e Francisco. A ambientação não ficou atrás, com cenas reais e ficcionais misturadas, e que se você não conhece as cenas que realmente aconteceram, você quase não consegue identificar a diferenças.

Eu sou católica, e admito que comecei a assistir com um certo receio, justamente porque sabia do momento em que o filme se passaria, e acreditava que em algum momento fosse acontecer uma ofensa irreparável e eu ficaria bem chateada, mas fiquei admirada com todo o contexto e a proximidade com a realidade, e a forma como eles trataram tudo o que poderia vir a ser ofensivo para a religião, mas acima de tudo adorei saber coisas sobre a vida de Bergóglio que não fazia ideia, de uma forma geral me fez admirá-lo ainda mais.

Sempre achei o Bergóglio um dos cardeais que tinham o rostinho mais agradável, daquele tipo que você sabe que vai sentir paz depois de assistir a uma missa celebrada por ele. E eu acabei ficando mais encantada ainda por ele, quando descobrimos um pouquinho mais de sua história antes de se tornar Papa Francisco, e principalmente porque ele é extremamente humano, tirando aquele estigma que sempre tivemos de que o Papa é um ser inalcançável e tudo o mais, Francisco mostra que todos são passiveis ao cometimento de erros, mas que todos podem se arrepender e tentar fazer o melhor pelas pessoas com a experiência adquirida.

E passei a ver o Bento XVI com um novo olhar também, um pouco mais amistoso, apesar de tudo, porque eu realmente não gostava dele, por pior que possa parecer esta declaração, eu nunca gostei dele como Papa, porque o João Paulo II, apesar de mais fechado e de também me parecer inalcançável, tinha uma carinha boa, que transmitia paz, e o Bento XVI não, ao menos para mim, ele nunca pareceu uma referência da paz que a Igreja Católica deveria pregar. Mas o filme mostrou ele um pouco mais humano, ainda extremamente conservador e taciturno, mas ainda assim, humano e suscetível a erros, mesmo que não os admitisse ou demorasse para isto, ainda assim me deixou mais simpática a ele, obviamente não passei a amá-lo, mas também não desgosto tanto mais.

Outra coisa que eu adorei no filme, foi que ele mostrou que realmente nem tudo são rosas nas eleições papais, e que embora o Bergóglio tenha sido a escolha e hoje um dos Papas que as pessoas mais admiram (ao menos as que eu conheço), ele não é 100% adorado, e tudo porque (assim como a sociedade toda) uma parte das pessoas ainda é tradicionalista e queriam manter a Igreja nos padrões dos séculos passados, e é por isto que a princípio Ratzinger foi escolhido como Papa, porque ele era tradicional na medida em que as pessoas queriam (ainda que por diversas vezes tenha sido acusado de ser nazista), e assim a Igreja seguia nos mesmos padrões, sem acompanhar a evolução da sociedade.

Bergóglio já era um cardeal progressista, e acreditava na abertura da Igreja para o acolhimento de toda a alma que buscasse por socorro divino, e é por isto que uma parte dos católicos não o queriam como Papa, e é exatamente por isto que eu mesmo torci tanto por ele kkkk. O Papa Francisco veio para revolucionar os padrões católicos, e se tornou o Papa que acompanha a evolução social e tenta fazer com que a Igreja acompanhe o futuro também, mostrando que Deus está aqui para todos os que buscam por ele, e que o próprio Senhor não determina padrões das almas a serem acolhidas. Ele é realmente um Papa muito humano, que está tentando unir a Igreja Católica e recepcionar aqueles que por tanto tempo foram considerados indesejados.

Esta é uma história para quem é de qualquer religião, embora eu tenha falado muito sobre a católica e todas as implicações que o filme apresentou para mim, mas é para todos principalmente porque nos expõe alguns fatos que levam a reflexão, como a tardia, mas bem-vinda, abertura da igreja às pessoas que antes eram marginalizadas por ela e a concepção de que a Igreja assume que embora seja um templo de Deus, ela é composta por homens, e portanto, poderá e irá cometer erros. É um filme extremamente interessante e bem feito que vale muito a pena.

Avatar

Tags:

veja os posts relacionados

Deixe seu comentário