Posts arquivados em Tag: Graphic Novel

28 ago, 2018

[RESENHA] Mulheres Que Só Fazem O Que Querem #1: Ousadas

Oi gente! A resenha de hoje é sobre a graphic novel  mais incrível que li nos últimos tempos: Ousadas. O primeiro volume da série Mulheres Que Só Fazem O Querem, da autora Pénélope Bagieu que foi lançado aqui pela Editora Nemo muito recentemente e tive o prazer de receber um exemplar para ler e resenhar. Então continue lendo para saber exatamente o que achei.

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10 jul, 2018

[RESENHA] Nada A Perder


Oi gente! Hoje vim conversar com vocês sobre a graphic novel Nada A Perder do Jeff Lemire que foi lançada recentemente pela Editora Nemo e pela qual eu estava bastante ansiosa desde que fiz o post de lançamentos do mês um tempo atrás. Então continue lendo este post para saber mais sobre a história e a minha opinião. 

Nada A Perder conta a história de Derek Ouelette, um ex-jogador de hóquei que tinha um futuro brilhante pela frente, até que foi expulso da liga por ferir gravemente outro jogador durante uma partida anos atrás. Ele agora mora nos fundos de uma pista de hóquei em que costumava treinar na adolescência e trabalha como cozinheiro no mesmo bar que a sua mãe trabalhou. Nem de longe é o futuro que planejou.


O temperamento de Derek também não mudou com o tempo, quer dizer ele piorou. E muito. Encrenqueiro de primeira está sempre se metendo em brigas para resolver qualquer que seja o assunto. Ouelette realmente parece não conhecer outra maneira de acabar com um problema que não envolva seus punhos e isso deixa o delegado da cidade, e um dos poucos amigos do ex-jogador, em uma situação bastante complicada.


A vida de Derek já estava uma bagunça, mas quando sua irmã mais nova reaparece em sua vida fugindo do ex-namorado violento e buscando a proteção da única família com a qual ela pode contar, Derek não vê como virar as costas para Bethy e seus problemas, mas acontece que um segredo que a garota está guardando pode mudar tudo e Wade, seu ex, não parece aceitar bem o fim do relacionamento e não pretende deixar a jovem escapar tão fácil assim.


Li Nada A Perder em menos de uma hora porque estava muito curiosa para saber porque Lemire é um autor tão aclamado dentro do seu gênero. Confesso que não esperava uma história tão violenta e envolvente ao mesmo tempo. A graphic novel possui uma trama muito complexa e cheia de nuances muito bem trabalhadas pelo autor e com um desenvolvimento tão bem feito que foi impossível para mim parar e tentar levar a leitura mais devagar.


A história aborda temas muito pesados como violência doméstica e abuso de álcool e drogas de uma maneira muito interessante. Fiquei bastante incomodada com certas coisas durante esta leitura e acredito que esta tenha sido a intenção de Lemire com as passagens, o que tornou a leitura ainda mais instigante para mim.


Derek merece todo o destaque, a história dele é bastante complexa e que explica perfeitamente bem como ele se tornou esta pessoa violenta,, que conseguiu destruir seu próprio futuro porque não tinha qualquer pingo de controle ou estabilidade emocional. Foi duro entender o que motivava o personagem, mas quando aconteceu se tornou ainda mais difícil não sentir empatia por ele. 


A arte de Nada A Perder é bem diferente das outras graphic novels que tenho aqui, ela é mais “crua”, mais rústica. Parece que falta um tipo de acabamento para suavizar as linhas, então combina perfeitamente com a narrativa contada por ela e foi incrível para mim perceber como essas duas partes do livro se completam para dar voz a uma narrativa única. Os tons frios de azul dominam a obra e, até onde eu sei, esta é uma das características do Jeff.


A edição está absolutamente perfeita, mantendo todo tom original da obra e com uma tradução impecável na qual foi impossível achar um erro e por isso preciso deixar aqui os meus parabéns pelo incrível trabalho do Jim Anotsu que foi o tradutor responsável. O papel é diferente das outras graphic novels da Nemo que eu tenho, mais áspero. Não sei se foi de propósito isso, mas até esse detalhe na composição do livro tornou a leitura mais especial, afinal até o papel no qual esta história foi impressa combina com ela.


Se você é um fã de graphic novel então eis aqui uma narrativa que você precisa conhecer e se você ainda não entrou para esse mundo, deixa eu te dizer que Jeff Lemire é um dos mais aclamados quadrinistas da atualidade por uma razão e Nada A Perder pode ser uma ótima forma de você conhecer este universo.








Título: Nada A Perder Páginas: 272 | Autor: Jeff Lemire  
Tradutor:  Jim Anotsu  | Editora: Nemo | Ano: 2018
13 jun, 2018

[RESENHA] March #1: A Marcha


Oi gente! Eu gosto muito de graphic novels (inclusive resenhei algumas e você pode clicar aqui para ler), mas sem dúvidas aquelas de que mais gosto são as biográficas, ou memórias gráficas, e foi por isso que quando a Editora Nemo lançou A Marcha eu já fiquei doida querendo.



John Lewis é um nome muito conhecido (e fundamental!) quando o assunto é a luta pelos Direitos Civis e para acabar com a segregação racial que acontecia nos Estados Unidos até o pouco tempo atrás. Junto com outras pessoas ele ajudou a modificar uma realidade perturbadora onde negros e brancos não podiam frequentar os mesmos lugares (nem mesmo as escolas!).

O livro narra através de flashbacks a história de John Lewis desde a infância e vamos vendo através dos seus olhos como era a realidade na qual aquele garoto negro cresceu e como foi descobrindo que aquela separação era injusta, desonesta e discriminatória. Também vemos quando ele decide que quer mudar essa realidade é começa a fazer parte de movimentos para isso.




Tudo isso soa como loucura em qualquer época, mas se você parar e refletir também vai notar que os fatos descritos pela obra aconteciam nos anos de 1960 o que é algo muito próximo em termos de história, praticamente um piscar de olhos. Além disso, se pare e analise que a abolição lá aconteceu em 1863, praticamente um século antes do que John Lewis passou tudo assume um aspecto ainda mais absurdo.

Já estava ciente da filosofia pacifista empregada pelos ativistas da época porque não é de hoje que leio sobre a segregação racial, mas é sempre diferente quando se tem a perspectiva de um ativista e não de um pesquisador. John Lewis realmente traz um ângulo novo ao contar como as coisas eram feitas e planejadas. Qualquer deslize podia colocar por água abaixo todo um movimento.

As ilustrações são bastante impressionantes. Elas realmente trazem mais emoção para a leitura e tenho certeza de que a parceria entre John, Andrew Aydin e Nate Powell realmente foi algo absolutamente marcante, tanto que a obra foi a primeira graphic novel a ganhar o National Book Award. A capa é feita a partir de duas cenas do livro, o que a torna perfeita. A revisão está impecável.




Enquanto lia fiquei pensando o tempo todo como sou privilegiada apenas por ter uma pele branca, como coisas básicas para mim como sentar em um balcão de lanchonete e ser servida só foram conquistada por negros a partir de uma luta incansável e que essas pessoas ainda sofrem coisas inconcebíveis apenas por causa do tom de pele.


Também refleti que não importa o quanto eu leia sobre o assunto, nunca estarei perto de entender como é  ser agredido de tantas formas diferentes, todos os dias. Que essa luta ainda não terminou e que só vai terminar quando as pessoas ao redor do mundo tomarem consciência disso. E quer saber o que é interessante? Este foi apenas o volume um desta graphic novel!









Título: A Marcha Série: March Volume: Páginas: 128
 Autores: John Lewis, Andrew Ayden, Nate Powell Tradutor:  Erico Assis
 Editora: Nemo | Ano: 2018
12 abr, 2018

[RESENHA] Justin

Oi gente! Hoje vou contar para vocês as minhas impressões sobre a graphic novel Justin escrita pela Gauthier e que foi lançada no mês passado pela Editora Nemo e já adianto que esta é uma das resenhas mais difíceis que escrevi nos últimos tempos porque o livro é tão lindo e sensível que não sei se fui capaz de transmitir tudo que gostaria.




Justin nasceu Justine, ele é um garoto aprisionado no corpo de uma garota. Ele sabe exatamente quando se deu conta disso, mas as pessoas à sua volta (especialmente a mãe!) não sabem como lidar exatamente como lidar com isso.

Desde jovem ele é atacado por não conseguir se ver como uma menina, sofrendo violência na escola ainda criança e bullying quando está no ensino médio. Todos apontam que ele é “sapatão” e em função deste tipo de comentário, já adulto, ele tem sua primeira experiência com uma mulher, Joëlle é assumidamente lésbica, mas a experiência com ela não o deixa Justine contente pois o seu corpo ainda é uma questão destoante. Assim os dois se tornam amigas e é ela quem aponta pela primeira vez que Justine é, na verdade Justin. Um garoto nascido no corpo de uma garota. Um transsexual.

A revelação o choca, mas ao mesmo tempo faz todo sentido. Ele sempre se sentiu desconfortável com a imagem refletida no espelho, com seu próprio corpo, nunca gostou de nada do mundo feminino. Como pode não ter percebido isto antes? Mas algumas coisas acontecem e ele acha melhor tentar se encaixar, tentar ser Justine, tentar ser uma garota, mas isso o deixa absolutamente infeliz.


Quando se muda para Paris e começa a sua transição de ver o quanto isso o faz bem, sem amarras, sem ter que dar justificativas sobrem quem é ele realmente se torna Justin. Para completar o processo ele que seu corpo seja compatível com aquilo que realmente é e então ele busca ajuda de psiquiatras para iniciar o processo de mudança de sexo, mas todos parecem estarem de acordo que o que ele sente não é normal. Até que ele encontra alguém que finalmente o ajuda a se tornar Justin por fora também.


Quando fiz o post de lançamentos de março (você pode conferir clicando aqui) de cara fiquei bastante interessada em Justin por ser uma graphic novel que fala sobre transgêneros, nunca tinha lido nada onde o personagem principal fosse trans então a experiência com este livro foi bastante forte.


Justin foi uma leitura muito rápida, devo ter lido em menos de quinze minutos, mas não por esse motivo menos sensível. Tudo pelo que o protagonista passa é narrado com extrema delicadeza e isso me envolveu bastante. Some a isso ilustrações poderosas e um livro fino e então você entenderá porque eu devorei a história tão rapidamente.


As ilustrações foram feitas para emocionar, toda a jornada de Justin para ser reconhecido como ele se via é, de fato, inspiradora o que me leva ao ponto seguinte: faltam obras como esta no mercado! Obras que promovam reflexão acerca do que o outro está passando e que provoquem empatia em quem está lendo. Não é possível ler uma graphic novel como Justin e simplesmente ignorar toda a dor que uma pessoa trans passa durante boa parte de sua vida.






O trabalho da Editora Nemo está impecável, nenhuma surpresa aí. Sem qualquer erro, o texto está perfeito. As folhas são brancas, o que não é problema para mim no caso de graphic novels e acredito também já ter deixado claro que as ilustrações são lindas e trazem muita carga dramática para a narrativa, mas se ainda não confiam em mim é só repararem nas imagens do post.


Eu realmente recomendo a leitura para todo mundo, Justin é uma narrativa sensível e emocionante sobre um problema que a maioria (se não todas!) as pessoas trans passam e, por esse motivo, acredito que seja uma obra de extremo valor social.











Título: Justin Páginas: 104 |Autora: Gauthier 
 Tradutor:  Fernando Scheibe  Editora: Nemo | Ano: 2018
23 jan, 2018

[RESENHA] Ghost World


Oi gente! Sabe quando você passa por uma fase onde quer ler determinado gênero? Então, estou assim ultimamente com gaphic novels. Tinha deixado o gênero de lado por uns tempos, mas eis que nas últimas semanas eu já li três e estou ávida por outras (então deixem indicações nos comentários!). O importante é vamos falar da aclamada Ghost World hoje!



Nesta graphic novel que se passa no fim dos anos noventa conhecemos Rebecca e Enid, duas garotas que acabaram de se formar no Ensino Médio e que estão naquele momento de transição na vida onde estão deixando a adolescência de lado e começando a vida adulta e como qualquer pessoa nesta fase elas estão cheias de inseguranças em relação ao futuro.


Mas a nossa dupla dinâmica está, acima de tudo, muito entediada com a vida que estão levando, elas começam a perambular pelos subúrbios, buscando por diferentes aventuras que possam leva-las a lugares inesperadamente fantásticos.



Com personalidades bem únicas, as amigas de longa data precisam aprender a lidar com certos aspectos do seu dia-a-dia enquanto tentam manter a amizade de longa data nesta nova fase e não serem engolidas pelo tédio.


Ghost World foi uma grata surpresa para mim, apesar de já esperar um texto muito interessante, não fazia ideia de que a graphic novel pudesse me encantar tanto. Daniel Clowes conseguiu pegar incertezas pelas quais todos nós passamos e trata-las de uma forma tão única, leve e nada banal que é completamente impossível não se identificar pelas personagens.


Bom, apesar de todas as questões tratadas em Ghost World serem atemporais e por isso gerarem esta identificação, ela fará mais sentido se você ler a história contextualizando-a nos anos noventa, principalmente por causa da tecnologia. Então fica essa dica se você decidir ler!




Foi uma leitura bastante rápida, mesmo eu tendo me apegado aos detalhes (que aliás são impressionantes!) porque simplesmente não consegui parar de ler, além disso Ghost World não é lá muito grande, mesmo a minha edição que contém bastante extra só tem 144 páginas! 


Eu fiquei tão absurdamente apaixonada pela história que já decidi assistir a adaptação feita em 2001, a qual é bastante elogiada, e que foi dirigida pelo Terry Zwigoff. Ele não é um diretor muito famoso, mas parece ter feio um trabalho realmente muito bom com esta adaptação cinematográfica.



Bom, uma última coisa da qual preciso falar é que esta edição é comemorativa de 20 anos da publicação. Ela possui bastante material extra e me deleitei com ele, algumas curiosidades e  tem até mesmo material referente a adaptação. Então este é um plus para quem decidir adquirir este livro!












Título: Ghost World

Páginas: 144
Compre: Amazon
Tradução: Érico Assis
Editora: Nemo
18 jan, 2018

[RESENHA] O Melhor Que Podíamos Fazer

Oi gente! Hoje vamos falar um pouquinho sobre uma graphic novel que abalou meu mundo e me virou de cabeça para baixo, tirou meu fôlego e apertou meu coração. Sim, O Melhor Que Podíamos Fazer que foi laçado pela Editora Nemo tem essa capacidade de mexer com as suas emoções, bagunçar seu mundo e te emocionar desde a primeira página.

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