02 set, 2020

[RESENHA] O Jogo Perfeito #2: Virando o Jogo

Oi pessoas lindas. Essa semana estou trazendo pra vocês a resenha de Virando o Jogo, segundo livro da trilogia O Jogo Perfeito, da autora J. Sterling e publicado no Brasil pela Faro Editorial. Quero só relembrar que nessa resenha não estou atacando nem a autora ou editora, e sim expondo minha opinião, de forma respeitosa, sobre a minha experiência de leitura. E é isso, a minha experiência vai ser diferente da sua e não tem nada de errado nisso.

Após ser enganado por Chrystle, Jack enfim descobre que ela não estava grávida. Consequentemente o rapaz tenta anular seu casamento e após meses de reviravoltas, enfim volta para Cassie, que o recebe de braços e coração abertos. Mas ambos não demoram a perceber que a nova vida dele como estrado do time de beisebol em Nova York muitas vezes pode ser bem cruel. A felicidade do casal novamente é posta à prova, e os erros do passado parecem retornar com mais força.

Cassie, no entanto, percebe que permanecer ao lado de Jack nessa fase não é nada fácil, principalmente com a mídia e os tabloides sensacionalistas reportando cada passo que a garota dá, por meio de notícias maldosas. Jack sabe que essa é sua última chance de provar seu amor para Cassie e quer fazer tudo dar certo. Mas como transmitir uma segurança capaz de deixá-la tranquila diante de tanto assédio? Cassie deve aprender a navegar nas águas deste novo mundo, em que os olhos de todos estão voltados para Jack. É um estilo de vida que a faz questionar sua felicidade, e sua própria sanidade, e se perguntar continuamente: Como acreditar que podem ficar juntos quando tudo parece querer separá-los?

Assim como na resenha de O Jogo Perfeito, vou começar ressaltando os pontos positivos do livro, e em seguida vou explorar todas as problemáticas que encontrei, algumas delas presentes também no primeiro livro, outras delas novas.

A primeira grata surpresa foi perceber o quando a escrita da J. Sterling está mais madura. O Jogo Perfeito foi o primeiro livro da autora, então é normal a gente perceber algumas características de alguém iniciante. Em Virando o Jogo, a autora começa a narrar explicando o que aconteceu depois que Jack se separou da esposa, já que ele demorou seis meses até procurar Cassie. São quase cem páginas dele contando tudo, onde a autora desenvolve melhor suas ideias, entra mais na essência dos personagens e o resultado é uma história bem amarrada, com uma dinâmica ainda melhor que o livro anterior e que a gente lê bem rapidinho.

Consequentemente a isso, os personagens mantém sua trajetória, ideais e permanecem fiéis ao que nós já conhecemos. Com isso, a gente continua adorando ou odiando os mesmos personagens que já foram apresentados, e criando laços com os novos. O trabalho editorial se mantém parecido ao primeiro livro. Diagramação simples, mas que ajuda na construção de uma leitura fluida, revisão ortográfica como sempre muito boa, mas pecando um pouquinho no copidesque.

Se você adorou o primeiro livro e não liga para as problemáticas que citei na resenha anterior, então você vai amar ainda mais esse, uma vez que sem dúvidas é uma história para os fãs de Cassie e Jack. No entanto, eu imaginei que de alguma forma o protagonista fosse realmente amadurecer, e todo o machismo (às vezes escondido, por outras descarado) fosse perder a força. Infelizmente isso não aconteceu. As 100 primeiras páginas são cercadas de atitudes totalmente sem necessidade, como por exemplo, ações agressivas que só servem para reafirmar o quando ele é o macho alfa. Além disso, por várias vezes o personagem quer agredir as pessoas por absolutamente nada (uma delas porque um atendente aconselha que ele troque o número de celular), e o que mais me deixou desconfortável, após uma cena em que Cassie recebe atenção de outros caras, ele pensa na possibilidade de urinar nela pra marcar território (sim, isso está no livro). Lá para o final, no entanto, temos um vislumbre do homem melhor que ele pode ser, mas isso sequer é trabalhado e acaba perdendo a força.

Uma das coisas que eu reclamei no primeiro livro, é a forma como ninguém parecia ter sanidade pra dizer ao Jack o quanto ele estava sendo machista. Nesse livro, por vários momentos, temos seu irmão Dean tentando por juízo em sua cabeça, mas isso também perde a força porque ele vira motivo de chacota, principalmente pelo irmão, por pensar assim. Isso me gerou desconforto porque tive a sensação de que esse é sempre o lugar de quem tenta não ser machista: ser sempre a piada do grupinho.

Eu também tinha falado o quando Melissa é uma personagem com uma dualidade totalmente estranha. Se diz amiga de Cassie, mas não cansa de empurrá-la a Jack. Nesse livro ela continua sendo assim. Julga a amiga por tentar se encontrar (sempre dizendo que sem Jack ela não vai ser feliz nunca), repreende Cassie por estar deixando a mídia ditar a relação dela com o namorado e aconselha que ela pare de ler notícias (sendo que é ela mesma quem manda cada link, foto e matéria para que Cassie possa ler) e, principalmente, mesmo dizendo que ama a amiga, não a apoia quando ela mais precisa. Sério, essa é uma personagem que não me desce e isso por ser mal construída.

Outro ponto de incômodo é a forma como em quase todo capítulo Jack não perde a chance de insinuar que Cassie tem que largar seu emprego e viver na estrada com ele. É louvável que a garota enfim tenha se dado conta de que sua carreira é tão importante quanto a dele, mas esse discurso fica tão repetitivo, que fica claro que ele está querendo manipular ela para fazer o que quer. E quando não consegue, de alguma forma Jack faz ela se sentir mal. Se isso não é um tipo de relacionamento abusivo, eu nem sei mais o que é.

Relacionamento abusivo que inclusive é apoiado pelas amizades de Cassie (olha Melissa aqui de novo), uma vez que quando a garota enfim resolve tirar um tempo pra si e entender o que quer, é muito julgada e recebe aquele discurso que sozinha ela não pode ser feliz, que Jack é o que ela precisa para ser feliz. No fim? Ela volta rastejando e pedindo desculpas quando não precisa e por erros que o próprio namorado cometeu. Enfim, isso não é saudável e fico mal por não ter ninguém em meio a tantos personagens para apoiar as decisões da protagonista.

Depois de tudo isso, e apesar de algumas coisas interessantes no livro (inclusive a maturidade de escrita da autora), posso dizer com clareza que ele também não funcionou pra mim e leva apenas duas estrelas. Mas volto a repetir, se você é fã da autora e amou O Jogo Perfeito, esse é especialmente pra você. Se ainda não leu, leia e tire suas próprias conclusões sobre e depois venha conversar com a gente.

Título: Virando o Jogo Série: O Jogo Perfeito #2 Páginas: 277 | Autor(a): J. Sterling 
Tradutor(a):  Chico Lopes  Editora: Faro Editorial | Ano: 2014

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